Ser palestrante

Fui entrevistado pela revista Recall sobre minha atuação como palestrante para uma matéria sobre as atividades dos palestrantes com o título "Mercado de palestras está em plena expansão". A matéria saiu na versão impressa da revista e trouxe também depoimentos de palestrantes como Luiz Almeida Marins Filho e Nelma Penteado. A íntegra do que conversei com a revista você encontra aqui.


Qual o público que mais se interessa por estas palestras?

Mario Persona:
Meus temas são marketing, comunicação, gestão de pessoas, negociação e vendas, e marketing pessoal, o que significa que meu público é formado principalmente por pessoas interessadas nessas áreas. Tenho também um tema sobre segurança no trabalho, porém que enfoca a importância da segurança para a competitividade da empresa e do profissional. Em todos os casos a idéia é mostrar que a parte mais importância de uma empresa são as pessoas, e que elas devem viver em contínuo aprendizado e atualização, se quiserem permanecer ativas no mercado.

Meus treinamentos de comunicação, marketing, negociação e vendas, que podem durar até dois dias, são dirigidos a profissionais liberais e profissionais de vendas de serviços ou produtos de grande valor agregado. Geralmente são empresas que me contratam para treinar suas turmas de gerentes ou vendedores de máquinas, autopeças, serviços etc.

Também faço um trabalho de coaching para executivos que desejam aprender a falar em público. A quase totalidade de meu trabalho acontece em eventos in company e não em eventos públicos, pois são palestras, workshops e treinamentos ricos em conteúdo e adaptados à realidade da empresa. Eventualmente faço palestras em eventos abertos ou em universidades, mas sempre deixo claro que não me enquadro na categoria de palestras-show.

Qual o objetivo que você busca atingir?


Mario Persona: Como minhas palestras têm uma forte ênfase em marketing, gosto de ajudar as pessoas a enxergarem formas de vender mais a si mesmas, suas marcas, serviços ou produtos. Quando um profissional percebe que antes de conseguir vender qualquer coisa é preciso que ele seja "comprado" pelo cliente, que seja aceito, reconhecido como digno de crédito, ele passa a se preocupar mais com sua imagem e suas atitudes.

A forma como abordo este tema tem uma relevância tão grande nas atuais condições do mercado, que sou chamado com freqüência para falar para públicos com características diversas, desde vendedores até médicos, passando por profissionais liberais, gerentes e donos de empresas preocupados em entender o que o futuro reserva para seus negócios.

Como lidar com as pessoas que são resistentes a este assunto e acreditam que estas palestras têm um efeito passageiro?


Mario Persona: Como disse, não me considero um palestrante "motivacional", como costumam ser chamados os palestrantes que trabalham com temas como auto-estima, auto-ajuda, espiritualidade, pensamento positivo e coisas assim. Esses palestrantes têm o seu papel na infusão de ânimo em determinados eventos, porém esse ânimo pode ser apenas superficial se não existir um trabalho mais profundo de conhecimento e convicção.

Pessoalmente enxergo que muitas palestras motivacionais são mais entretenimento do que capacitação e é importante que o RH das empresas tenha bem claro em mente qual resultado pretende antes de contratar palestrantes para seus eventos. Se for o caso de um evento festivo, por exemplo, com a presença de trabalhadores e familiares, é óbvio que palestrantes de conhecimento específico como marketing não servem. A platéia é heterogênea demais para se obter qualquer resultado além da diversão.

Costumo orientar a pessoa que contrata para evitar surpresas desagradáveis. Em alguns eventos mais festivos, as empresas costumam contratar, além de mim, algum profissional para fazer a parte mais lúdica ou de entretenimento, como um mágico, um grupo de teatro ou um cômico. Dessa forma, enquanto eu transmito o conhecimento e o recado que a empresa quer passar aos seus colaboradores, os outros profissionais motivam o público com brincadeiras ou coisas mais leves.

Uma vez uma empresa me procurou para uma palestra para ser ministrada na festa de aniversário. Procurei saber mais e informaram que a palestra seria em um bar fechado em São Paulo, por volta da meia-noite, depois de uma banda de jazz e antes de um bolo gigante, com muita bebida e salgados rolando nas mesas. Logo vi que estavam equivocados ao me procurar, por isso perguntei se já tinham procurado por outros palestrantes. Quando informaram que a decisão estava entre mim e um mágico, sugeri imediatamente que contratassem o mágico. Eles não precisavam de um palestrante, mas de entretenimento para a festa.

Por esta razão no formulário de solicitação de proposta em meu site deixo claro que o que faço é ajudar o público a enxergar novas tendências em tecnologias, negócios e carreira, compartilhar conhecimento e conceitos com profundidade, inspirar e motivar a mudança de atitude no trabalho e relacionamentos, encorajar com bom humor o empreendedorismo e a proatividade, além de alertar para a gravidade do momento, convidando à reflexão.

Para evitar equívocos, faço também uma ressalva, informando que não canto, danço, faço mágicas e caretas, não crio êxtases com beijos, abraços, risos e choros, nem faço o público gritar, pular e rolar no chão.

Quando este mercado começou a registrar um crescimento significativo? Por qual motivo?


Mario Persona: O trabalho desenvolvido por palestrantes tem por objetivo compartilhar conhecimento e normalmente o crescimento deste mercado está associado ao crescimento de todo o mercado de eventos, feiras e exposições. Quanto mais sofisticada uma sociedade, mais as pessoas buscam por conhecimento privilegiado sobre diversos temas, e é por isso que o mercado só tende a crescer.

A necessidade de capacitação das pessoas nas empresas, indo além da mera capacitação técnica, também impulsiona o mercado de palestras com temas como marketing, comunicação, gestão de pessoas ou vendas. Ao contrário do conhecimento técnico, que pode ser mais facilmente passado por livros ou até treinamentos a distância, um tema relacionado a como falar em público, por exemplo, exige uma boa parcela de presença pessoal, já que as pessoas aprenderão mais pela observação do palestrante do que pela própria informação que ele procura transmitir.

Outro dia uma empresa me procurou para desenvolver um treinamento de vendas que eles pudessem multiplicar internamente. Meu papel seria apenas desenvolver o material e as pessoas da própria empresa se incumbiriam de ensinar às outras como fazer. Achei melhor enviar uma proposta para eu mesmo ministrar meus treinamentos, pois expliquei que dificilmente eles obteriam o mesmo resultado apenas utilizando as informações e o material que eu passasse. Existe muito de pessoal na forma de transmissão de conhecimento, e um palestrante dificilmente se sentirá à vontade deixando que outro transmita aquilo que ele próprio desenvolveu para ser transmitido com o tempero de seu estilo pessoal.

Você faz quantas palestras por mês?


Mario Persona: Este é um número que varia tanto que nem mesmo me preocupo em monitorá-lo. Há meses quando só volto para casa para trocar de mala, mas há outros quando o movimento é bem menor. Como atendo principalmente empresas com palestras, workshops e treinamentos in company, os meses em que os gestores ou pessoas de decisão saem de férias costumam ser mais calmos, mesmo porque esse costuma ser meu público mais constante, ou as pessoas diretamente ligadas às gerências e diretorias. Embora não tenha um número fixo, hoje sou solicitado o suficiente para, por exemplo, precisar abrir mão de alguns trabalhos de consultoria durante o segundo semestre de 2005 em função do número de viagens e compromissos assumidos.

Quando entrou no mercado?


Mario Persona: Durante anos falei em público, em eventos, ministrando aulas ou até como responsável pela comunicação em empresas, mas profissionalmente minha carreira solo mais concentrada em palestras e treinamentos começou em 2001, quando decidi me dedicar a ensinar o que aprendi em meio século de vida.




Entrevista concedida à Revista Recall em 21/09/2005. Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que disse na hora e posso nunca mais conseguir dizer, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui.

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O palestrante Mario Persona fala de Criatividade, Carreira, Comunicação, Marketing & Vendas em entrevistas para jornais, revistas, sites e emissoras de rádio e TV.