Ansiedade e novas tecnologias

Entrevista para o jornal A Tarde sobre a ansiedade criada com o uso do computador, Internet e outras tecnologias.

A Tarde: O que você tem a dizer sobre pessoas que "sofrem" uma espécie de ansiedade tecnológica, aquele tipo de situação que envolve a falta de capacidade de controle quando o assunto é dominar programas e utilização do micro?

Mario Persona: Essa ansiedade é comandada pela necessidade. Hoje saber estar familiarizado com a tecnologia da informação é tão necessário quanto foi no passado estar familiarizado com a pena -- saber escrever. E quando falo de tecnologia da informação, incluo desde o domínio de um simples telefone até a Internet, passando pelo celular, microcomputador, pagers, handhelds ou quiosques bancários. Nossos sentidos foram expandidos e a entrada e saída de dados que recebemos do ambiente depende agora desses acessórios tecnológicos.

Todos sofremos de uma certa ansiedade quando percebemos que é preciso dominar algo e descobrimos que estamos sendo dominados por isso. Eu passei por isso na década de 80, quando assumi a gerência de uma empresa e de um Apple que, na época, havia custado mais de quatro mil dólares. Quando ligava aquela tela de fósforo verde, ela parecia me dizer: "Decifra-me ou te devoro!" Tínhamos um cadastro de mil e poucos clientes feito em linguagem Basic que levava meio dia para ser indexado pelo computador. Depois evoluímos para o dBase II e tudo ficou mais rápido, apesar de precisar separar os clientes por disquetes. De "A a C" em um, "D a F" em outro, etc.

Minha primeira reação foi extremista. Decidi que tudo aquilo poderia ser feito melhor à mão, usando fichas e máquina de escrever! Aquela era uma reação desesperada diante da derrota para uma máquina. Felizmente aquela crise passou e decidi enfrentar madrugadas para dominar a máquina. Tomei como missão domesticá-la. Eu não seria subjugado por um monte de fios e chips. Aí ocorreu uma virada fantástica em meu relacionamento com a tecnologia. Passei a ter a curiosidade de descobrir novos programas, novas funcionalidades, e até hoje me sinto bem diante de um micro.

Só que agora a máquina tenta me dominar de outra maneira, muito mais sutil. Ela quer recuperar todo o tempo que me fez ganhar, criando novas e tentadoras atualizações de software, de hardware, de sistemas, de... Agora já se trata de desenvolver um auto-controle para não me deixar levar pelo entretenimento tecnológico, uma excelente forma de se perder tempo instalando a última versão ou lendo manuais com funções que não vou precisar nem quando me mudar para Marte.

A Tarde: Em muitos casos, a pessoa perde as estribeiras e parte para a solução mais "irracional" possível: pode até mesmo dar umas pancadas no micro, querem jogar fora, como se isso resolvesse?

Mario Persona: Já fiz isso. Felizmente não quebrou nada. Até hoje o micro resolve inventar uma novidade nas horas mais impossíveis. É a impressora que pára na hora de imprimir aquela proposta urgente. É a Interne que decide ficar muda quando mais preciso enviar ou receber meus e-mails, ou pesquisar algo. Ou duas horas perdidas por não conseguir gravar um arquivo só para descobrir depois que não tem nada de errado com seu micro, mas que um problema na rede está causando aquilo.

Uma vez tinha uma palestra para dar e, depois de tudo preparado, dediquei um dia inteiro para colocar tudo numa bela apresentação em Power Point, com fotos e tudo mais. Terminei às nove da noite e a apresentação era no dia seguinte cedo, em outra cidade. Na hora de gravar pela última vez, um problema fez com que o arquivo se corrompesse e não fosse mais possível abrir. Nem ele, nem o backup! O jeito foi tomar algumas xícaras de café, virar a noite refazendo tudo, tomar um bom banho e partir para a palestra sem perder o pique. A adrenalina da raiva de perder até ajudou na hora da palestra. O sono só veio depois.

A Tarde: Gostaria de ouvir sua opinião, como especialista, sobre como as pessoas devem agir caso se sentiam assim. Ou, quando o micro não funciona, e a pessoa quer dar um jeito, seja que hora for?

Mario Persona: Esta semana tive um problema assim com um arquivo, também corrompido. Meu primeiro impulso foi de começar tudo de novo. Estava arrasado e queria trabalhar para esquecer. Tinha trabalhado o dia inteiro naquilo. O jeito foi descansar para esfriar a cabeça. Depois de descansar um pouco, fui verificar os diretórios e acabei encontrando um arquivo temporário que era possível de ser aberto, onde estava tudo, exceto os últimos cinco minutos de trabalho. Se tivesse seguido meu primeiro impulso, teria trabalhado por horas para refazer algo que estava ali, bem debaixo do meu nariz, para ser recuperado.

A Tarde: O que você acha dessa nova "interface" do ser humano, que hoje já admite dizer que não consegue mais viver sem a Internet, sem a tecnologia, sem o computador, sem o celular, sem instalar um programinha novo no PC etc?

Mario Persona: Este mês fui entrevistado por uma revista sobre a perda de tempo que isso causa, e como fazer para evitar isso. Como o assunto seria muito amplo -- perdemos tempo com hardware, com software, com Internet, etc. -- decidi falar só de e-mail. É uma excelente ferramenta, mas pode ser um tirano e ladrão do tempo, se perdermos o controle.

De uma maneira geral, é preciso reassumir o controle do tempo que acaba sendo invadido pela dependência tecnológica. Pode virar um vício, uma droga que nos escraviza. Meu controle envolve evitar instalar qualquer programa novo que não seja estritamente necessário ao meu trabalho. Internet, só para pesquisa e quase nada para navegar sem destino. E-mail ainda é o maior problema, pois assino várias newsletter de informação e conhecimento, que é minha área, e preciso ler para me manter atualizado. Mesmo assim, tenho evitado assinar outras ou mesmo cancelei algumas que percebi que não lia.

A Tarde: Você poderia dar seu depoimento? Que conselhos você daria a uma pessoa que está nessa situação? Ou perto dela? E você? já viveu algo semelhante? Conhece alguém assim?

Mario Persona: A sensação de ficar longe do e-mail é, na minha opinião, a mais complicada para mim. Uso exaustivamente essa ferramenta, mesmo quando viajo e levo meu notebook. Até escrevi uma crônica sobre a dificuldade do profissional da geração Internet que trabalha em viagens e precisa se conectar do quarto do hotel. Veja em http://www.mariopersona.com.br/estrelas.html

A Tarde: Ou mais: como exemplo, citaria até a situação de a pessoa ter mais de três contas de e-mail. Isso, a seu ver, também seria uma forma de ansiedade ou dispersão? o que acha disso?

Mario Persona: Hoje é preciso ter mais de uma conta de e-mail, às vezes até por segurança ou prevenção. Aconselho que toda pessoa tenha pelo menos três contas. Uma da empresa onde trabalha, a qual não deve ser utilizada para seu relacionamento pessoal ou mesmo profissional de longo termo. Digo isto porque você pode construir todos os seus relacionamentos exclusivamente em cima de um endereço de e-mail comercial e depois sair daquele emprego, ficando inacessível a toda a sua rede de amigos ou possíveis clientes, fornecedores, empregadores ou parceiros.

Ao contrário de um endereço físico, por exemplo, o telefone da empresa onde você trabalha, que continua funcionando depois de sua saída e pode ser útil para alguém encontrá-lo, o e-mail é desativado e a pessoa passa a receber apenas mensagens de erro. Você ficará inacessível, a menos que o remetente tenha como entrar em contato com sua empresa e tente encontrá-lo, o que fica mais difícil quanto maior a empresa.

Mantendo um e-mail pessoal e divulgando-o para toda a sua rede de relacionamentos, mesmo seus contatos comerciais, evita que você caia no limbo dos e-mails perdidos. Uma terceira conta, de preferência dessas de provedores gratuitos, é útil para ser usada nesses sites de Internet que pedem seu e-mail e depois enviam propaganda. Obviamente você não deve usar essa conta para contatos importantes.

Como vender sempre mais

A Revista PEGN - Pequenas Empresas Grandes Negócios publicou uma edição especial de Janeiro de 2002 com o artigo "100 Lições para Vender nos Negócios". A revista entrevistou 36 especialistas de diversas áreas e montou a matéria em cima dessas orientações.

A entrevista que dei, da qual foram aproveitados alguns trechos, pode ser vista na íntegra logo abaixo.

Mario Persona

COMO FAZER PARA VENDER SEMPRE MAIS

Muita gente fala em vender mais. Pouca gente fala em venda continuada. O custo de uma nova venda para um novo cliente é muito maior que o custo de uma venda complementar para um cliente existente. Em minha cidade há vários supermercados, alguns grandes, com bons preços. Minha mãe, que tem dificuldade em se locomover por causa da idade, compra muito de uma pequena mercearia. O proprietário atende ao telefone, conversa com ela, faz a entrega e ainda troca cheques quando ela não tem quem vá ao banco. Nem é preciso dizer que ele dificilmente perderá essa cliente, mesmo para supermercados com preços mais baixos.

Qualquer empresário ou comerciante deve estar sempre pensando naquele algo mais para surpreender seu cliente. Deve cativá-lo com algo que seu concorrente não possa oferecer. Fala-se muito em fidelização de clientes hoje, mas acho que isso é algo muito difícil para uma grande empresa conseguir. O cliente só é fiel a uma grande empresa, loja ou supermercado, até o momento que encontra um preço mais baixo e um estacionamento mais conveniente em outro lugar. Fidelização envolve pessoas e relacionamentos, coisas difíceis de se conseguir com sorrisos treinados. Por isso vejo uma grande oportunidade das pequenas empresas se destacarem no mercado, investindo no encantamento do cliente.

Uma amiga recebeu flores de uma floricultura local no dia de seu aniversário. De quem você acha que ela irá comprar quando pensar em flores? Um amigo recebeu uma pizza de uma pizzaria, também no aniversário. São pequenas ações feitas a clientes já cadastrados, mas ainda não cativados, que têm um baixo custo e um grande resultado.

Talvez o que deveríamos ter em mente é que não precisamos vender mais, mas que precisamos vender melhor. E vender melhor significa estar atento para oportunidades de se criar uma experiência de encantamento e satisfação, que permaneça indelével na mente de nosso cliente.

COMO FAZER PARA...
...DIVULGAR A EMPRESA


Ninguém é melhor para falar de uma empresa do que a pessoa encantada com ela. A propaganda no meio médico acontece principalmente pelo boca-a-boca. Foi alguém que gostou do tratamento ou do atendimento que indicou para outra pessoa, que indicou para outra e assim o consultório foi ficando cheio. Em todo ramo de atividade deveria ser assim.

Portanto, antes de se pensar em divulgar, é melhor ver se existe algo de muito bom para ser divulgado. Se esse "algo de muito bom" puder contaminar as pessoas, elas serão as melhores divulgadoras de seu produto ou empresa. Assim como acontece no atendimento ao cliente, as pequenas e médias empresas estão em uma situação privilegiada em relação às grandes, pois podem ler na expressão do cliente as suas reações. E fazer a sintonia fina até encontrar o ponto ideal de satisfação.

Em segundo lugar, no meu entender, o segredo da divulgação está na mensagem. Toda empresa deve encontrar a mensagem certa para o seu público. É claro que a mensagem deve ser adequada ao meio que será utilizado, mas de nada valerá o meio se não existir uma mensagem eficiente. E mensagem eficiente é aquela que diz o que o cliente quer ouvir. Para saber o que o cliente quer ouvir, o melhor é perguntar a ele, ou tentar perceber.

A pessoa menos indicada para criar a mensagem pode ser justamente o dono da empresa. Ele está tão envolvido com seu produto, que pode não perceber que o valor dele não está naquilo que ele acredita, mas no que o cliente espera. Perguntei a um fabricante de semi-jóias qual era o diferencial de suas peças em relação aos concorrentes, e ele respondeu que era a marca gravada em cada peça. Segundo ele, aquela marca minúscula em baixo relevo era sua garantia de qualidade e de que a peça tinha sido produzida com determinada porcentagem de ouro, entre outras coisas. Perguntei se ele conhecia alguma mulher que comprava jóias pela garantia. Ainda que seja importante a garantia, mulheres compram pela beleza e pelo sonho que existe escondido ali.

Geralmente o empresário está preocupado com as questões técnicas, com a qualidade do material, em quanto custou a máquina que comprou para criar aquele diferencial, e coisas do tipo. É claro que ele jamais conseguirá completar na mente de uma cliente a imagem que ela quer que seja completada. Em meu livro "Crônicas de uma Internet de Verão" dou vários exemplos de fracassos de empresas na utilização da Internet no atendimento ao cliente, justamente por estarem muito preocupadas com as vantagens da tecnologia. Minha crônica "Giselda vai às compras" deveria ser leitura obrigatória para todo empresário que deseja usar a Internet para atender seus clientes. É uma boa maneira de se vacinar contra uma postura de embriaguez tecnológica ou do deslumbramento do design.

COMO FAZER PARA ...
VALORIZAR A MARCA


Uma marca pode ser valorizada pela repetição continuada e sua associação com um bom produto. Infelizmente muitas empresas, pequenas e médias, não dispõem de meios e recursos para criar e fixar uma marca no mercado usando as diretrizes dos grandes mestres do marketing. A solução é sair para um marketing alternativo, que pode ser muito eficiente dentro das proporções adequadas a uma pequena ou média empresa.

Mais uma vez, a marca que não pode contar com recursos milionários de mídia, deve estimular o boca-a-boca. Isto se consegue com uma mensagem consistente e adequada ao seu público. Já foi o tempo em que o "Servimos bem para servir sempre" podia ser considerado uma mensagem eficaz. O trabalho exigido para se fixar uma marca através de uma mensagem deve ser mais voltado ao cliente do que à marca ou ao produto em si. Deve completar um desejo.

Veja que a marca é algo muito subjetivo, como uma bandeira. Defende-se a bandeira pelo que ela representa. Se uma empresa não pode investir em propaganda maciça e continuada, deve investir numa história. Deve criar uma aura de respeito e confiança que cative o cliente e o leve a contar essa história a outros. A Internet tem hoje um papel muito importante na disseminação e fixação de marcas, mas isso não tem nada a ver com os banners coloridos. Estou falando da rede de relacionamentos que pode construir ou destruir um nome.

COMO FAZER PARA...
...ENFRENTAR A CONCORRÊNCIA


Não sei se a postura de uma empresa deveria ser a de enfrentar a concorrência. Quando a Harley-Davidson tentou enfrentar a concorrência das motos japonesas, criando motos semelhantes, se deu mal. Foi só quando decidiu ser diferente da concorrência, voltando ao seu design da década de cinqüenta, que reconquistou seu mercado e cresceu. A idéia na época era a seguinte: se o concorrente for para a direita, nós vamos para a esquerda.

Enfrentar a concorrência é uma queda de braço onde ganha o mais forte. Invariavelmente, o pequeno e médio empresário tem uma concorrência mais forte, que são os grandes grupos. Tentar enfrentá-los seria suicídio empresarial. Infelizmente o novo século tem demonstrado que uma das mais eficientes formas de guerra é aquela que evita um confronto direto. O terrorismo usa meios não convencionais de guerra, e consegue abalar as grandes potências.

Não quero fazer uma apologia ao terrorismo, mas mostrar que os mais fracos em recursos podem encontrar meios criativos de baixo custo para driblar a concorrência. Sem procurar utilizar meios escusos, o empresário deve direcionar o planejamento estratégico de sua empresa para atalhos não percebidos pelo concorrente.

Uma vez conheci um fabricante de rádios que estava fechando sua fábrica por ser incapaz de enfrentar a concorrência. Seus rádios eram bons, já que usava praticamente os mesmos componentes dos grandes fabricantes. O problema estava na caixa. O custo de desenvolvimento e fabricação de caixas de plástico injetado era muito alto para sua pequena fábrica. E ninguém mais queria comprar os rádios com caixa de madeira que fabricava. O jeito foi sair do negócio.

Se na época ele tivesse considerado a possibilidade de fabricar réplicas de rádios antigos de madeira, provavelmente teria ampliado seu negócio. Não iria competir com as grandes multinacionais, mas teria um nicho de mercado pouco explorado, porém de grande potencial. O problema era que ele achava que fabricava rádios. E talvez não enxergasse que há uma classe de clientes que não está interessada em rádios, mas em objetos de decoração, itens para coleção, fontes de prestígio, objetos de desejo. Mais uma vez, um exemplo da visão míope que o empresário pode ter às vezes, ao se dedicar demais ao produto.

COMO FAZER PARA...
...TER UMA POSTURA SOCIAL


Esta é uma questão bastante importante e muito explorada ultimamente. É claro que toda empresa deve ter uma responsabilidade social e preocupação com o meio-ambiente. O problema que vejo é que geralmente é apresentado ao pequeno empresário o exemplo de grandes multinacionais, esperando que ele siga o mesmo caminho. Ele pode e deve ser responsável e comprometido com o social, mas talvez o modelo esteja errado.

Quando uma grande empresa investe dinheiro e trabalho no social, ela investe outro tanto em marketing para tocar suas trombetas e dizer a todos: "Vejam como eu me preocupo com o social". Então todos passam a considerar aquela empresa simpática, sua marca cresce e sua imagem acaba fixada na mente do consumidor como uma empresa responsável.

O que realmente motiva as grandes empresas a investirem no social é o retorno financeiro que isso dá, já que somos grandinhos para acreditar em Papai Noel. O pequeno não tem nem os recursos, nem a estrutura de marketing para investir no social e tocar a trombeta. A única forma que vejo dos pequenos e médios empresários serem motivados a investir no social é também poderem perceber um retorno financeiro. Talvez isto aconteça quando existir uma política de estímulo fiscal neste sentido. Mas este já é um assunto que deixo para pessoas mais habilitadas do que eu discutirem.

Marketing pessoal

Mostre aquilo que os outros querem ver e não o que você quer que eles vejam


Para o consultor Mário Persona (foto), investir em marketing pessoal não é uma tarefa tão difícil. Afinal, como ele mesmo diz, a primeira ação de qualquer um ao nascer - o choro - é marketing puro

A maioria das pessoas tem dificuldade para falar de sua capacidade profissional. Para elas, estar em evidência não é uma prática saudável, muito menos profissional. Vivem feito ostras, achando que cabem aos outros o esforço de encontrar as pérolas que existem no interior de suas cascas. Mal elas sabem que, diante do mundo extremamente competitivo, esse tipo de comportamento não tem mais lugar. Ou elas assumem a postura de que para sobreviver profissionalmente precisam fazer com que todos saibam quem elas são, ou, então acabarão vendo suas carreiras irem por água abaixo. Essa é a tônica da conversa que o consultor Mário Persona, especialista em comunicação e marketing, utiliza em suas apresentações sobre o poder do marketing pessoal e de relacionamento.

Segundo ele, de nada adianta uma pessoa ter um bom currículo e um conhecimento acima da média se não souber como vendê-los.

Para vencer essa barreira, é preciso investir em marketing pessoal, uma tarefa que, de acordo com Persona, não é tão difícil assim. Afinal, como ele mesmo diz, a primeira ação de qualquer um ao nascer - o choro - é marketing puro. "Além de deixar claro que tem gente nova no pedaço, o choro é uma forma de chamar a atenção", justifica. E é nisso que se fundamenta o marketing pessoal: criar mecanismos que façam com que as pessoas despertem a atenção para aquilo que elas têm de melhor para ser mostrado.

Para que isso dê certo, é fundamental uma boa rede de relacionamento. A história do pedreiro que foi indicado pelo encanador, que foi indicado pelo eletricista, que foi.... nunca teve tanto valor. Diante da eliminação das distâncias e barreiras proporcionadas pelo mundo moderno, indicar e ser indicado passou a ser uma realidade.

Mas lembre-se. O bom relacionamento não garante resultados positivos se o profissional deixar de lado ingredientes como criatividade, versatilidade, atualização constante e, principalmente, competência. Mesmo porque com a crescente valorização do conhecimento por parte do mercado de trabalho, esse é o conjunto que faz a diferença.

As pessoas devem ser cativadas pela emoção

Qual é a mensagem que transmite a publicidade de um automóvel andando por uma estrada maravilhosa? A de que o veículo é um excelente produto? Claro que sim, mas seu objetivo maior é dizer que uma vez dentro daquele automóvel, o motorista irá encontrar emoção, aventuras. Em bom português, o prazer de dirigir.

O expediente utilizado pela publicidade é o da venda de um produto intangível. Em nenhum instante, ela destaca a qualidade do veículo ou faz qualquer menção de como ele é produzido. Embora fundamentais, são dados secundários, que podem ou não ganhar a importância do consumidor à medida que vier a crescer o seu interesse pela aquisição do bem. Na verdade, o elemento que irá "fisgá-lo" chama-se emoção.

A mesma regra, de acordo com Persona, se aplica à apresentação pessoal. "Devemos cativar nossos clientes com emoção, prazer, sensação, apresentando-lhe sempre algo que chame sua atenção e interesse. A experiência, a lista extensa de cursos realizados, a família são dados que, em um primeiro momento, não têm o menor valor".

Ele lembra que isso é muito comum em currículos. Neles, o que é mais importante deve estar sempre em primeiro plano. "Afinal, currículo não é documento, é uma peça publicitária. Procure mostrar o que os outros querem ver e não aquilo que você quer que eles vejam".

Ninguém precisa de desempregados

O avanço da informática e a proliferação da Internet estão contribuindo para alterar a forma do trabalho. Controles e sistemas que antes eram gerenciados por várias pessoas passaram a ser controlados por poucos computadores. Na área bancária, por exemplo, todos os serviços estão automatizados, uma realidade da qual outras áreas não tem como escapar. "A robotização está acontecendo e não adianta ficarmos chorando, falando por aí que estamos fora do mercado. Sempre haverá alguma coisa que sabemos fazer melhor que o robô", afirma Persona.

Por conta disso, ele enfatiza que a pior tática a ser adotada por quem perdeu o emprego é se apresentar como desempregado. "Ninguém presisa de desempregados, mas de pessoas com capacidade e que tenham alguma coisa para oferecer", diz. E ele justifica: "quando um profissional sai de uma empresa, leva consigo o conhecimento adquirido".

Criatividade transforma sonhos em realidade

Você não precisa ter a criatividade da Matshusita, a gigante japonesa que controla a Panasonic, que gera 6,5 milhões de idéias por ano -, para alcançar o sucesso profissional ou, então, para se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo. Mas se os seus objetivos são exatamente esses, é bom saber que uma boa dose dela poderá ajudá-lo a transformar sonhos em realidade.

Mas o que é ser criativo, afinal? Nada mais é do que desenvolver o raciocínio lógico exigido para determinadas situações, ou seja, a capacidade de realizar. Logo, é fácil imaginar que todas as pessoas são criativas. A diferença está no uso que cada uma delas dá à criatividade.

A ousadia é tida como um bom exemplo. Sem cometer exageros, experimente introduzir um assunto novo em uma conversa - ou até mesmo em uma entrevista. A situação inusitada surpreenderá quem estiver ouvindo, pois ele será obrigado a fazer uma análise daquilo que foi dito para poder emitir a sua opinião.

Aliás, esse é um recurso que vem sendo utilizado cada vez mais por recrutadores de pessoal para buscar profissionais versáteis, capazes de adicionar valor às companhias. Através de perguntas descabidas, do tipo "quantas padarias existem em São Paulo?", eles verificam como o candidato conduz seu raciocínio diante de situações inesperadas e se é capaz de aplicar essa lógica nas questões do dia-a-dia.

Respostas para perguntas dessa natureza podem ser qualquer uma, menos dizer "não sei" ou "não faço a menor idéia". Isso é tudo o que o entrevistador não quer ouvir. Portanto, seja criativo nesta hora. Use a analogia. Imagine que uma pequena cidade, de 10 mil habitantes, tenha quatro padarias. Logo, São Paulo, com uma população mil vezes maior terá 4 mil.

Saber se esse número é correto, somente consultando as associações e os sindicatos da categoria. De qualquer forma, ele não tem a menor utilidade para o entrevistador que apenas quer medir sua criatividade e a sua capacidade de buscar soluções diante de um problema apresentado.

Marca pessoal

De acordo com Persona, ser diferente em um mercado competitivo é também criar uma marca pessoal. "Cada profissional deve ter a sua, que pode ser sua maneira de falar (sotaque), o modo de se vestir ou a forma de como tratar as pessoas", explica.

Ele cita o caso de um publicitário que detestava gravata, mas foi obrigado a usá-la. "Como não falaram nada sobre o nó, visitava os clientes com a gravata apenas pendurada no pescoço. Virou sua marca pessoal. Era dele que os clientes se lembravam quando precisa de alguma visita"

Diploma não é tudo

Foi-se o tempo em que o diploma era a garantia do sucesso profissional. Hoje, conforme define Persona, não passa de um atestado de incapacidade. "Não devemos nos vangloriar do diploma porque não existe parada na coleta do conhecimento", justifica. "A atualização deve ser constante", completa.

Além de saber trabalhar em equipe, o profissional deve estar preparado para mudanças. Sua atuação deve ser como a de um ator. "Se ele for fazer o papel de engenheiro, precisa se passar por engenheiro; se for fazer o papel de bandido, terá que agir como bandido. O profissional deve ser assim, trabalhar de acordo com os projetos, conforme o filme vai andando" diz o consultor.

A resistência à tecnologia, segundo ele, é um dos maiores problemas enfrentados por parte dos profissionais. "Agem assim porque entendem que o emprego é a sepultura do progresso profissional, quando deveriam dizer "eu sou um lixo, por isso vou me reciclar", todas as vezes em que se olhassem no espelho pela manhã".

Neste sentido, segundo ele, as mulheres são multimídias. "Jogam em todas as posições e têm mais facilidade para se adaptar às mudanças.

Aprenda com os políticos

De acordo com Persona, poucos sabem fazer marketing como os políticos. "Falam bem, sabem criar redes de relacionamento, encantar parceiros e influenciar influenciadores". Dessa forma, ele diz: "podemos aprender com eles, se soubermos identificar o que é técnica e o que não passa de demagogia".

Estar pronto para responder frases relâmpagos do tipo "será que vai chover?" é outro artifício que pode render bons frutos, segundo o consultor. A resposta pode estar associada ao seu tipo de negócio: "se chover não vou conseguir entregar o notebook encomendado pelo meu cliente". Assim, se quem fez a pergunta está interessado em adquirir um notebook, teve seu interesse despertado.

Nas conversas do dia-a-dia, surpreenda com frases insólitas. Diga o que ninguém diz. Chavões e frases feitas causam mais prejuízo do que benefício para o marketing pessoal.

Seja também solidário com quem sempre te ajudou. É importante fazer aos outros o que gostaria que fizessem a você. Indique-os para trabalhos, divulgue seus nomes, valorize-os como profissionais.

Ladroes do tempo

Entrevista para matéria da Revista Melhor Vida & Trabalho: O que faço para evitar e-mails ladrões de tempo

 
A internet colocou informação demais ao alcance dos mesmos cinco sentidos e um cérebro que meu bisavô já possuía. É impossível processar tudo. Para evitar que o volume de informação que chega por e-mail roube meu tempo dedicado ao trabalho, adotei alguns procedimentos simples que poderão ajudá-lo a também evitar ser assaltado pelos ladrões de tempo:

  • Cancelo as assinaturas de boletins por e-mail que recebo e não leio.
  • Não guardo o que recebo para ler amanhã, pois amanhã receberei algo que irei querer guardar para depois de amanhã.
  • Reduzo as opções dos assuntos que leio por e-mail. Leio apenas o que está relacionado ao meu trabalho. Se tiver olhos e ouvidos para tudo, não conseguirei concentrar-me em nada. Sempre terei a web inteira para pesquisar quando precisar.
  • Identifico pelo título os ladrões de tempo.
  • Apago sem abrir tudo o que tiver cara de propaganda, correntes, mensagens ou ofertas para ficar rico.
  • Evito cadastrar meu e-mail em formulários e, quando em dúvida sobre a política de privacidade de um site, informo um endereço de e-mail grátis que não costumo utilizar.
  • Evito verificar minha correspondência a cada cinco minutos.
  • A menos que esteja esperando por algo importante, mantenho meu programa de e-mail fechado. Isso evita distrações desnecessárias e a interrupção de meu trabalho.
  • O mesmo faço com programas de mensagens rápidas, como ICQ, que mantenho na opção "Es-tou Trabalhando" e não uso para bater papo.
  • Leio correndo os olhos por palavras-chave. Antes de me dedicar à leitura palavra por palavra, passo os olhos sobre o texto identificando os tópicos principais. Se o assunto não agregar valor algum ao que sou e ao que faço, apago imediatamente.
  • Leio notícias do modo como os jornalistas as escrevem. Notícias são escritas com a técnica da pirâmide invertida. Tudo o que é importante está na chamada e no primeiro parágrafo. O resto é uma repetição em detalhes, o que equivale dizer que basta ler o primeiro parágrafo para estar informado.
  • Envio e-mails para mim mesmo. Quando encontro algo de interessante na web, não paro para ler se não for aquele o meu objetivo imediato. Envio a mim mesmo um e-mail, como lembrete para uma visita posterior. Enviar e-mails para si mesmo é uma boa forma de se criar uma caderneta de lembretes.
  • Não visito todos os links que recebo por e-mail. Nem tudo o que foi de interesse para a outra pessoa será de interesse para mim. Em que pese a boa vontade das pessoas que enviam links para você, tenha em mente que pode ser um assunto que só interessa a ela.
  • Não abro links de cartões web. Não se trata de desprezar quem envia, mas de usar a internet com eficiência. O e-mail já é um veículo excelente para se enviar mensagens de aniversário, boas-festas ou parabéns.
  • Crio filtros para jogar na lixeira o que não interessar. Todo programa de e-mail permite que você crie filtros, por remetente, assunto ou palavras. A partir daí, todos os e-mails que chegam daquele remetente, com aquele título, ou contendo aquelas palavras, vão direto para a lixeira.
  • Uso etiquetas de prioridades. Todo programa de e-mail permite colocar diferentes etiquetas nos e-mails que você recebe. É possível classificá-los por ordem de prioridade, assunto ou grau de valor. Assim, após verificar toda a correspondência, posso voltar rapidamente naquelas que exigem providências urgentes.
  • Uso assinaturas alternativas. Quanto maior nossa rede de relacionamentos, maior o número de respostas iguais que iremos dar. Procuro identificar similaridades e vou criando respostas-padrão ou apenas trechos, que salvo como assinaturas alternativas. Assim evito escrever repetidas vezes a mesma resposta ou parte dela.
  • Aplico o princípio 80/20 naquilo que recebo. O princípio de Pareto pode ser adaptado também para e-mails. Apenas 20% do que recebo será responsável por 80% do valor agregado ao meu trabalho, conhecimento ou relacionamentos, tanto para mim quanto para meu interlocutor. Procuro identificar esses 20% de geradores de valor e dou prioridade a eles.
  • Não abro arquivos anexados. Exceto quando estou esperando por aquele arquivo, ou seja, algo importante vindo de alguém que eu conheça. Fotos, apresentações, programas executáveis, qualquer coisa que não esteja no corpo do e-mail pode ser um ladrão de tempo. Este procedimento já me livrou de muitos vírus. C
  • Criei uma pasta com mensagens para ler depois. Geralmente são artigos cuja leitura atrapalharia o que estou fazendo no momento. Transfiro para lá o que acho que vou ler depois que, de qualquer modo, acabo apagando.
  • Não obedeço 100% minhas próprias regras. Você deve ter percebido que a dica anterior contradiz minha primeira dica. Se eu seguir minhas próprias regras ao pé da letra, corro o risco de engessar a intuição e perder em criatividade e oportunidade o que ganhei em tempo. Portanto, se quer mesmo seguir regras, aqui vai uma que serve por todas: Use de bom senso ao utilizar seu e-mail.

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O palestrante Mario Persona fala de Criatividade, Carreira, Comunicação, Marketing & Vendas em entrevistas para jornais, revistas, sites e emissoras de rádio e TV.