Comunicação interna

Fui entrevistado pela Revista Finess Business, para uma matéria sobre comunicação interna. A íntegra de minha entrevista você encontra aqui, incluindo um vídeo educacional com uma simulação baseada no texto abaixo.



Revista Fitness Business - Você acredita que as empresas fazem uso correto da comunicação interna para melhorar o relacionamento entre seus funcionários e até mesmo com o público externo?

Mario Persona -
Infelizmente a maioria das empresas não se preocupa muito com a comunicação, seja ela interna ou externa, e acredito que o problema seja cultural. Para muitos, comunicar-se é simplesmente transmitir idéias, e desde que a pessoa seja capaz de falar, ela é considerada preparada para se comunicar. Mas não é só isso. Um colaborador pode até saber falar, mas se não for alimentado com a mensagem correta e com a cultura da empresa, abrir a boca pode até ser pior.

A primeira coisa que uma pessoa deve aprender ao entrar em uma empresa é saber qual a história que deve contar para colegas e clientes. Entenda como história a mensagem, cultura, valores, benefícios e coisas do tipo. Sim, pois comunicação nada mais é do que contar histórias, e os melhores comunicadores são aqueles que contam as melhores histórias sobre si mesmos e sobre os produtos ou a empresa que representam.

Quando digo que a empresa tem uma história para contar, isso não quer dizer o ano de sua fundação ou coisas do tipo, mas simplesmente o que ela quer que sua equipe e seu público conheçam a seu respeito, algo que crie um elo de comunicação e relacionamento entre os colaboradores, e entre eles e os clientes.

Mas para isso é preciso que a empresa tenha feito a lição de casa, tenha feito um planejamento de sua comunicação integrada, para poder assim disseminar o mesmo discurso entre todos os seus colaboradores. Até bandidos fazem isso quando são presos: passam a limpo entre eles o que vão dizer no interrogatório para não caírem em contradição. Esse passar a limpo o discurso nem sempre é feito nas empresas.

Um cliente tem algum tipo de opinião sobre uma empresa ou produto, e quando um colaborador consegue convencer o cliente dos benefícios de seu produto ou serviço é porque conseguiu contar ao cliente uma história melhor do que aquela que o cliente contava a si mesmo - sua opinião - ou a que lhe era contada por um concorrente.

Revista Fitness Business - Por que a cultura da adoção de estratégias de comunicação interna demorou a ser incorporada pelas empresas de médio e pequeno porte? Ainda existem empresas que não investem neste tipo de ação?

Mario Persona -
Creio que isso aconteça também por falta de cultura e adaptação ao dinamismo do mercado. As empresas em uma economia emergente, como a brasileira, estão mais preocupadas em produzir e vender. Vejo nas empresas uma preocupação muito grande com produtividade, qualidade, processos e tudo mais, coisas muito importantes.

Mas se você tiver qualidade e ninguém souber disso, não irá adiantar todo o esforço empregado para se chegar a essa qualidade. É preciso transformar qualidade em mensagem e a mensagem só chega ao mercado mediante uma boa comunicação, a qual começa em casa, ou seja, internamente.

As empresas começam a tomar alguns sustos hoje quando vêem que seus clientes têm um poder de comunicação maior do que elas próprias. Antigamente as mensagens que nos chegavam de empresas, produtos e serviços vinham até nós basicamente da propaganda e do trabalho das assessorias de imprensa. Hoje as informações chegam até nós por meio de clientes e usuários, que já têm tecnologia para serem vistos e ouvidos por milhares de pessoas.

Se o cliente está tão bem aparelhado para comunicar suas opiniões, que podem ser até prejudiciais à imagem de minha empresa, o que eu tenho feito para estar em pé de igualdade ou até em vantagem para comunicar os atributos daquilo que faço ou até para blindar minha empresa contra uma comunicação equivocada que possa partir de clientes insatisfeitos? Ou, pior ainda, o que fazer para a empresa ter um poder de comunicação melhor do que alguns de seus próprios colaboradores, que têm uma rede de relacionamentos enorme e podem estar comunicando a eles o que não deveria ser comunidado a respeito da empresa onde trabalham? Ou como prepará-los para fazerem uso desse poder que eles têm, porém com um discurso afinado com o da empresa?

Revista Fitness Business - Quais são os principais entraves que dificultam uma comunicação interna eficiente?

Mario Persona -
A comunicação deve começar de cima para baixo e depois se disseminar horizontalmente. É preciso que a empresa tenha um plano de comunicação integrada, o que nem todas se preocupam em ter. O negócio é produzir, o negócio é vender - dizem elas. Era assim no passado, mas hoje isso não é suficiente.

Há também alguma confusão em algumas empresas que pensam que comunicação interna não seja tão importante quanto a comunicação com os clientes, mas talvez isso também venha de uma falta de compreensão de que todos são clientes de todos. Se eu trabalho numa linha de produção e furo uma chapa que receberá um parafuso na etapa seguinte, meu colega da etapa seguinte é meu cliente e eu sou seu fornecedor. Se não existir entre nós uma comunicação correta, o trabalho será prejudicado. E essa "corrente de comunicação" não pára na porta da empresa.

Existe uma outra questão que é a do conhecimento interno que todas as empresas têm, que é mais do que a soma de tudo o que todos sabem. Quando se fala de gestão de conhecimento em uma empresa isso nada mais é do que saber gerir as pessoas que compõem essa empresa e a comunicação entre elas.

Pois o João, que trabalha no "Departamento A", pode precisar de um conhecimento que a Maria, do "Departamento B" possui, só que eles não se conhecem e não sabem da existência nem da carência de um ou da disponibilidade que o outro tem. Uma estratégia de comunicação interna cuidaria para que o João e a Maria se conhecessem e tivessem idéia das habilidades e deficiências mútuas, e fossem estimulados a manter um contato que servisse para nivelar por cima o conhecimento interno da empresa.

Revista Fitness Business - Quais os benefícios que uma comunicação interna eficiente pode trazer para a empresa?

Mario Persona -
Uma comunicação interna eficiente dissemina a cultura da empresa uniformemente e até a aprimora com as contribuições individuais. Os seres humanos aprendem muito por imitação, e se consigo treinar pessoas com uma comunicação eficaz, isso é contagioso. Se eu não tomar qualquer providência neste sentido, elas continuarão com a comunicação que trouxeram de fora da empresa, nem sempre adequada. O problema é que isso também é contagioso.

Revista Fitness Business - A tecnologia trouxe grandes benefícios para a comunicação interna?

Mario Persona -
Hoje é muito fácil você criar murais eletrônicos, boletins, fóruns de discussão e até estimular os colaboradores a trocarem informações para aumentar o nível de conhecimento geral da empresa. As reuniões usando meios eletrônicos também são possíveis, mas muitas empresas simplesmente proíbem toda comunicação com medo de seus colaboradores utilizarem a tecnologia da maneira errada. Minha opinião é que as pessoas utilizarão sim a tecnologia de maneira errada, a menos que sejam instruídas sobre qual a maneira correta de fazê-lo.

Por exemplo, temos hoje a comunicação síncrona e assíncrona a um toque dos dedos e é preciso saber qual usar para obter eficácia. A comunicação síncrona é aquela que você precisa de ambos interlocutores disponíveis, como o telefone. Eu só posso falar com você se você quiser ou puder falar comigo. Já na comunicação assíncrona, eu posso falar com você ainda que você não queira ou não possa naquele momento.

O e-mail e o messenger permitem isso. Você responde quando puder ou quiser. Se eu não souber escolher que tecnologia usar, acabarei importunando você com uma comunicação síncrona para dar um recado de pouca importância que poderia ser dado por e-mail ou pelo messenger. Coisas assim fazem parte da implantação de uma cultura de uso eficaz de ferramentas de comunicação interna.

Revista Fitness Business - Que dicas você daria para as empresas implantarem uma comunicação interna eficiente?

Mario Persona -
A comunicação começa na contratação. Pessoas com dificuldades de relacionamento e comunicação podem ser identificadas logo na primeira entrevista e cabe à empresa avaliar se vale a pena investir ou não em treinar aquela pessoa ou dar preferência a uma que já venha semi-pronta. Digo "semi" porque sempre será necessário treinar cada colaborador.

Mas não existirá em quê ser treinado se não existir antes um plano de comunicação da empresa, o que pode ser feito por profissionais de comunicação ou marketing. E dê preferência a um plano que leve em consideração a vida real que as pessoas levam no planeta Terra, e não fique satisfeito em simplesmente criar uma frase bonita para chamar de missão, visão ou valores, emoldurá-la e fazer a equipe recitar aquilo.

Comunicação humana não acontece assim. Visão é o que atrai todos numa mesma direção, missão é aquilo com o que todos acabam sendo impregnados com uma comunicação eficaz carregada de paixão, e valores é a soma daquilo que as pessoas trarão de casa. Daí saber escolher muito bem na porta de entrada para não introduzir valores que poderão arruinar sua visão e missão.

Revista Fitness Business - Por que muitas empresas delegam a comunicação interna para o departamento de RH? Esse tipo de trabalho não deveria ser feito pelo departamento de comunicação?

Mario Persona -
No Brasil o departamento de comunicação acabou se envolvendo demais com propaganda institucional, enquanto o RH felizmente deixou aquela velha função de contratar e demitir pessoas para cuidar do pulso humano da organização. Ambas as áreas são estratégicas e deveriam trabalhar juntas, com a área de comunicação deixando de pensar apenas em propaganda institucional ou de produto e passando a se preocupar mais com comportamento e relacionamentos, e o RH deixando os processos burocráticos para fazer o papel que fazem os treinadores de times esportivos. Felizmente em muitas empresas essas áreas já estão fazendo isso.

[Entrevista concedida à Revista Fitness Business em 19/10/2007. Entrevistas como esta costumam ser feitas para a elaboração de matérias, portanto nem tudo acaba publicado. Eventualmente são aproveitadas apenas algumas frases a título de declarações do entrevistado. Para não perder o que disse na hora e posso nunca mais conseguir dizer, costumo gravar ou dar entrevistas por escrito. A íntegra do que foi falado você encontra aqui. Se achar que este texto pode ajudar alguém, use o formulário abaixo para enviar.]

Marketing Pessoal

Fui entrevistado pelo jornal "Administrador Profissional" para uma matéria sobre marketing pessoal. O resultado da entrevista você encontra aqui:

Para o palestrante e consultor Mário Persona (foto), investir em marketing pessoal não é uma tarefa tão difícil. Afinal, como ele mesmo diz, a primeira ação de qualquer um ao nascer - o choro - é marketing puro

A maioria das pessoas tem dificuldade para falar de sua capacidade profissional. Para elas, estar em evidência não é uma prática saudável, muito menos profissional. Vivem feito ostras, achando que cabem aos outros o esforço de encontrar as pérolas que existem no interior de suas cascas. Mal elas sabem que, diante do mundo extremamente competitivo, esse tipo de comportamento não tem mais lugar. Ou elas assumem a postura de que para sobreviver profissionalmente precisam fazer com que todos saibam quem elas são, ou, então acabarão vendo suas carreiras irem por água abaixo. Essa é a tônica da conversa que o consultor Mário Persona, especialista em comunicação e marketing, utiliza em suas apresentações sobre o poder do marketing pessoal e de relacionamento.

Segundo ele, de nada adianta uma pessoa ter um bom currículo e um conhecimento acima da média se não souber como vendê-los.

Para vencer essa barreira, é preciso investir em marketing pessoal, uma tarefa que, de acordo com Persona, não é tão difícil assim. Afinal, como ele mesmo diz, a primeira ação de qualquer um ao nascer - o choro - é marketing puro. "Além de deixar claro que tem gente nova no pedaço, o choro é uma forma de chamar a atenção", justifica. E é nisso que se fundamenta o marketing pessoal: criar mecanismos que façam com que as pessoas despertem a atenção para aquilo que elas têm de melhor para ser mostrado.

Para que isso dê certo, é fundamental uma boa rede de relacionamento. A história do pedreiro que foi indicado pelo encanador, que foi indicado pelo eletricista, que foi.... nunca teve tanto valor. Diante da eliminação das distâncias e barreiras proporcionadas pelo mundo moderno, indicar e ser indicado passou a ser uma realidade.

Mas lembre-se. O bom relacionamento não garante resultados positivos se o profissional deixar de lado ingredientes como criatividade, versatilidade, atualização constante e, principalmente, competência. Mesmo porque com a crescente valorização do conhecimento por parte do mercado de trabalho, esse é o conjunto que faz a diferença.

As pessoas devem ser cativadas pela emoção

Qual é a mensagem que transmite a publicidade de um automóvel andando por uma estrada maravilhosa? A de que o veículo é um excelente produto? Claro que sim, mas seu objetivo maior é dizer que uma vez dentro daquele automóvel, o motorista irá encontrar emoção, aventuras. Em bom português, o prazer de dirigir.

O expediente utilizado pela publicidade é o da venda de um produto intangível. Em nenhum instante, ela destaca a qualidade do veículo ou faz qualquer menção de como ele é produzido. Embora fundamentais, são dados secundários, que podem ou não ganhar a importância do consumidor à medida que vier a crescer o seu interesse pela aquisição do bem. Na verdade, o elemento que irá "fisgá-lo" chama-se emoção.

A mesma regra, de acordo com Persona, se aplica à apresentação pessoal. "Devemos cativar nossos clientes com emoção, prazer, sensação, apresentando-lhe sempre algo que chame sua atenção e interesse. A experiência, a lista extensa de cursos realizados, a família são dados que, em um primeiro momento, não têm o menor valor".

Ele lembra que isso é muito comum em currículos. Neles, o que é mais importante deve estar sempre em primeiro plano. "Afinal, currículo não é documento, é uma peça publicitária. Procure mostrar o que os outros querem ver e não aquilo que você quer que eles vejam".

Ninguém precisa de desempregados

O avanço da informática e a proliferação da Internet estão contribuindo para alterar a forma do trabalho. Controles e sistemas que antes eram gerenciados por várias pessoas passaram a ser controlados por poucos computadores. Na área bancária, por exemplo, todos os serviços estão automatizados, uma realidade da qual outras áreas não tem como escapar. "A robotização está acontecendo e não adianta ficarmos chorando, falando por aí que estamos fora do mercado. Sempre haverá alguma coisa que sabemos fazer melhor que o robô", afirma Persona.

Por conta disso, ele enfatiza que a pior tática a ser adotada por quem perdeu o emprego é se apresentar como desempregado. "Ninguém presisa de desempregados, mas de pessoas com capacidade e que tenham alguma coisa para oferecer", diz. E ele justifica: "quando um profissional sai de uma empresa, leva consigo o conhecimento adquirido".

Criatividade transforma sonhos em realidade

Você não precisa ter a criatividade da Matshusita, a gigante japonesa que controla a Panasonic, que gera 6,5 milhões de idéias por ano -, para alcançar o sucesso profissional ou, então, para se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo. Mas se os seus objetivos são exatamente esses, é bom saber que uma boa dose dela poderá ajudá-lo a transformar sonhos em realidade.

Mas o que é ser criativo, afinal? Nada mais é do que desenvolver o raciocínio lógico exigido para determinadas situações, ou seja, a capacidade de realizar. Logo, é fácil imaginar que todas as pessoas são criativas. A diferença está no uso que cada uma delas dá à criatividade.

A ousadia é tida como um bom exemplo. Sem cometer exageros, experimente introduzir um assunto novo em uma conversa - ou até mesmo em uma entrevista. A situação inusitada surpreenderá quem estiver ouvindo, pois ele será obrigado a fazer uma análise daquilo que foi dito para poder emitir a sua opinião.

Aliás, esse é um recurso que vem sendo utilizado cada vez mais por recrutadores de pessoal para buscar profissionais versáteis, capazes de adicionar valor às companhias. Através de perguntas descabidas, do tipo "quantas padarias existem em São Paulo?", eles verificam como o candidato conduz seu raciocínio diante de situações inesperadas e se é capaz de aplicar essa lógica nas questões do dia-a-dia.

Respostas para perguntas dessa natureza podem ser qualquer uma, menos dizer "não sei" ou "não faço a menor idéia". Isso é tudo o que o entrevistador não quer ouvir. Portanto, seja criativo nesta hora. Use a analogia. Imagine que uma pequena cidade, de 10 mil habitantes, tenha quatro padarias. Logo, São Paulo, com uma população mil vezes maior terá 4 mil.

Saber se esse número é correto, somente consultando as associações e os sindicatos da categoria. De qualquer forma, ele não tem a menor utilidade para o entrevistador que apenas quer medir sua criatividade e a sua capacidade de buscar soluções diante de um problema apresentado.

Marca pessoal

De acordo com Persona, ser diferente em um mercado competitivo é também criar uma marca pessoal. "Cada profissional deve ter a sua, que pode ser sua maneira de falar (sotaque), o modo de se vestir ou a forma de como tratar as pessoas", explica.

Ele cita o caso de um publicitário que detestava gravata, mas foi obrigado a usá-la. "Como não falaram nada sobre o nó, visitava os clientes com a gravata apenas pendurada no pescoço. Virou sua marca pessoal. Era dele que os clientes se lembravam quando precisa de alguma visita"

Diploma não é tudo

Foi-se o tempo em que o diploma era a garantia do sucesso profissional. Hoje, conforme define Persona, não passa de um atestado de incapacidade. "Não devemos nos vangloriar do diploma porque não existe parada na coleta do conhecimento", justifica. "A atualização deve ser constante", completa.

Além de saber trabalhar em equipe, o profissional deve estar preparado para mudanças. Sua atuação deve ser como a de um ator. "Se ele for fazer o papel de engenheiro, precisa se passar por engenheiro; se for fazer o papel de bandido, terá que agir como bandido. O profissional deve ser assim, trabalhar de acordo com os projetos, conforme o filme vai andando" diz o consultor.

A resistência à tecnologia, segundo ele, é um dos maiores problemas enfrentados por parte dos profissionais. "Agem assim porque entendem que o emprego é a sepultura do progresso profissional, quando deveriam dizer "eu sou um lixo, por isso vou me reciclar", todas as vezes em que se olhassem no espelho pela manhã".

Neste sentido, segundo ele, as mulheres são multimídias. "Jogam em todas as posições e têm mais facilidade para se adaptar às mudanças.

Aprenda com os políticos

De acordo com Persona, poucos sabem fazer marketing como os políticos. "Falam bem, sabem criar redes de relacionamento, encantar parceiros e influenciar influenciadores". Dessa forma, ele diz: "podemos aprender com eles, se soubermos identificar o que é técnica e o que não passa de demagogia".

Estar pronto para responder frases relâmpagos do tipo "será que vai chover?" é outro artifício que pode render bons frutos, segundo o consultor. A resposta pode estar associada ao seu tipo de negócio: "se chover não vou conseguir entregar o notebook encomendado pelo meu cliente". Assim, se quem fez a pergunta está interessado em adquirir um notebook, teve seu interesse despertado.

Nas conversas do dia-a-dia, surpreenda com frases insólitas. Diga o que ninguém diz. Chavões e frases feitas causam mais prejuízo do que benefício para o marketing pessoal.

Seja também solidário com quem sempre te ajudou. É importante fazer aos outros o que gostaria que fizessem a você. Indique-os para trabalhos, divulgue seus nomes, valorize-os como profissionais.

Primeiro livro

Mario Persona foi entrevistado pelo Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, sobre o seu primeiro livro "Crônicas de uma Internet de verão". A íntegra da entrevista você encontra aqui.

Hoje em Dia - Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre Internet?

Mario Persona -
Há um bom tempo tenho procurado traduzir conceitos de Internet, B2C, e-business, CRM, cadeia de suprimentos e tantas outras siglas e nomes que invadiram nosso dia-a-dia, e o estilo de crônicas caiu como uma luva para isso. Por sua linguagem divertida, com algumas pitadas de sarcasmo e erudição, a crônica não tem data de vencimento. Ela pode descrever um evento do momento, ou pode manter uma memória fresca do passado. Não envelhece.

Quando percebi que muitos gostariam de ter minhas crônicas para referência constante, já que todas elas trazem dicas de negócios, marketing e tecnologia, vi que estava na hora de transformá-las em livro. Neste primeiro volume (já existe um segundo a caminho) foram reunidas minhas melhores crônicas para retratar um período da Internet que marcou a sociedade. Desde a euforia contagiante da novidade, até a morte das pontocom, tudo está registrado em duzentas páginas. Mas não é um livro histórico, e sim um verdadeiro manual de dicas para quem quer conhecer como funcionam os negócios na rede mundial. Com capa e ilustrações de Murilo Maluf e uma boa dose de humor.

Hoje em Dia - 'Crônicas de uma Internet de Verão'... O título está relacionado com o lado efêmero da Internet?

Mario Persona -
O título tem dois objetivos. Como sou um homem de marketing, não poderia deixar de dar um toque marketeiro ao título. A idéia é fazer uma associação na mente das pessoas com algo que tenha um som parecido. Os cantores brasileiros fazem muito isso, gravando versões de sucessos importados. As pessoas escutam uma vez, acreditam já ter ouvido antes e pensam que a canção é famosa. Esta técnica de se buscar na mente do cliente uma imagem já existente, e completá-la, é a essência do marketing e do atendimento. No caso, "Crônicas de uma Internet de Verão" faz lembrar de "Sonhos de uma noite de verão", de Shakespeare.

Neste sentido o título tem tudo a ver com o conteúdo, ou seja, mostrar, como você bem definiu, o lado efêmero da Internet. Mas não da Internet que continua forte e saudável, como plataforma para sistemas e negócios, mas da bolha pontocom, que quis fazer da tecnologia um negócio de ocasião. O livro ajuda o leitor a discernir o que é falso e o que é verdadeiro em matéria de negócios e uso da tecnologia da informação.

Hoje em Dia - Os negócios on-line já foram "desenganados" por diversas vezes mas os investimentos na área persistem, a Nasdaq tem apresentado índices mais animadores do que o Dow Jones... Como você enxerga esse cenário, principalmente pós-atentados?

Mario Persona -
É importante lembrar que a Nasdaq abrange empresas de tecnologia de um modo geral. É claro que continuaremos precisando de redes, servidores, e todo o equipamento que faz a Internet acontecer. Porque é inevitável que os negócios migrem para a rede mundial. Ou, melhor dizendo, que a rede venha a impregnar todos os negócios. Nem imagino mais o que seja declarar imposto de renda sem a Internet. Ou até enfrentar filas em bancos. Viver sem e-mail, então, seria impensável! Meu livro é fruto de uma geração Internet, e até meu estilo tem a influência da nova forma de se ler e escrever para não perder tempo. Mesmo quando escrevo, estou conectado, pesquisando o assunto, aprendendo, buscando idéias. Eu não escreveria assim sem a Internet.

Hoje em Dia - Nas relações com clientes, em seminários e mesmo no dia a dia, qual o maior erro que identifica naqueles que investem na Internet?

Mario Persona -
Em uma palestra pedi que levantasse a mão todos os que usavam a Internet para negócios. Poucos levantaram. Então perguntei quem declarava o imposto de renda pela Internet. Quase todos. É assim que a rede estará fazendo parte de nossas vidas. Como algo imperceptível, como é o telefone, e cuja falta nós iremos sentir quando faltar. Ao investidor de negócios na Internet cabe aprender a discernir o que é que poderá ser usado pelas pessoas de forma imperceptível. Ali estarão os bons negócios.

Um sistema que faça a ligação do supermercado até o último fornecedor de matéria prima da cadeia de suprimentos, usando a Internet, é algo revolucionário. Mesmo que os compradores do supermercado não vejam isso acontecendo nos bastidores. O problema foi que a maioria dos negócios pontocom tinha a Internet como fim, não como meio. Seria como eu criar algum negócio de telefone onde o ato de telefonar fosse o mais gostoso. Não daria certo.

Hoje em Dia - O que "aconselha" aos otimistas? E aos pessimistas?

Mario Persona -
Aos otimistas, que não tenham pressa em criar "negócios de Internet". Que pensem em criar soluções para os negócios existentes. Que permitam às empresas ter o seu braço virtual atuante. Muita coisa pode ser feita, desde que se entenda que a Internet não é a mina de ouro que tanto anunciaram. Mas também não é desprezível.

Por exemplo, a propaganda na rede. É preciso entender como a rede funciona, como é o comportamento das pessoas, para evitar transplantes rejeitados. Ninguém pensaria em mostrar outdoors na TV, porque são mídias diferentes. Ou ler outdoors no rádio. No entanto, nesse início da Web, o que mais vimos foi um transplante da propaganda convencional para o meio virtual. Em sua maior parte não vingou. Eu uso muito a propaganda na Web, mas ela é imperceptível. Minhas crônicas são uma forma de propaganda. O boca-a-boca que é possível criar, é outra forma. Os relacionamentos criados na rede também podem ajudar muito.

Ah! Você perguntou o que eu diria aos pessimistas? Eu não diria nada, pois eles não iriam querer escutar um otimista.

Hoje em Dia - Você acredita que a Internet pode estabelecer uma comunicação mais eficaz nas corporações?

Mario Persona -
Com certeza. Dentro e fora das empresas, a Internet é essencial. Mas, volto a dizer, é preciso entender o comportamento das pessoas. Não é apenas transplantar as práticas usuais para a rede. Ontem recebi um boletim de uma agência de propaganda. Não me lembro de ter assinado aquele boletim que me chegou por e-mail na forma de uma página digitalizada com dois megabytes de tamanho. Ao invés de criar um boletim em formato texto ou html, próprios para a Internet, a pessoa simplesmente digitaliza uma página inteira de um impresso e envia como arquivo anexado a um e-mail dizendo algo do tipo, "Aqui vai nosso boletim".

É claro que esse tipo de comunicação está na contramão da tecnologia da informação. Daí a extrema importância das empresas investirem hoje em capacitação e informação de seu pessoal, para que entendam a ferramenta que tem hoje nas mãos. Cursos são importantes, treinamentos são importantes, palestras são importantes. E até livros, como "Crônicas de uma Internet de Verão". Porque, afinal, sou um homem de marketing.

Entrevista feita em Novembro de 2001. Para entrevistas, envie um e-mail com suas perguntas para Mario Persona - contato@mariopersona.com.br

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O palestrante Mario Persona fala de Criatividade, Carreira, Comunicação, Marketing & Vendas em entrevistas para jornais, revistas, sites e emissoras de rádio e TV.